domingo, 27 de setembro de 2009

ELOÁ CRISTINA - DOAÇÃO DE ÓRGÃOS (3)

Eloá e Nayara
* * *

Já Maria Augusta dos Anjos, de 39 anos, recebeu o coração da garota. E diz que agora pode realizar os sonhos. Ela já faz caminhada no Parque Trianon e exercícios físicos todos os dias. E espera poder andar de bicicleta em breve, o que nunca fez.

“Antes eu não conseguia fazer praticamente nada. Via meus 12 irmãos para lá e para cá e só eu tinha que ficar quietinha. Tentava esconder que era uma pessoa triste. Agora digo que sou muito feliz.”

Antes de receber o órgão, ela teve de se mudar do Pará para São Paulo. Foram dois anos e meio de espera até o chamado. “Como todo mundo nessa situação, ficava apreensiva, achando que podia surgir uma oportunidade a qualquer hora.”

Agora, conta, sente-se mais independente. “Antes eu não saía nunca sozinha porque desmaiava na rua. Estou aprendendo a me virar. Sinto que finalmente comecei a viver."

Para Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, que mantém contato com Maria Augusta e até com o pai dela, que constantemente liga de longe, a felicidade daquela família a faz ter certeza do ato praticado. “É reconfortante.”

Treinamento
Para o médico Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central de Transplantes de São Paulo, a repercussão de casos como o da garota Eloá e o treinamento de profissionais de saúde para entrevistar os familiares são os maiores responsáveis pelo ótimo indicador de baixa negativa familiar.“

O principal problema ainda é o diagnóstico de morte encefálica. Para os familiares, é de difícil compreensão que uma pessoa que ainda está com o coração batendo esteja morta. Para conversar com os parentes, a pessoa tem que estar muito preparada”, diz.

Segundo ele, em razão disso nos últimos anos foram feitos vários cursos em São Paulo, com simulações de entrevistas com parentes. “A gente ficava repassando o vídeo, apontava os erros e corrigia.”

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